NOSSO JEITO DE SER IGREJA
A visão da nossa igreja é que todo cristão é chamado por Deus para servir e ministrar - não apenas os pastores ou líderes. Isso significa que cada crente é um sacerdote (I Pe 2:9-10), isto é, alguém chamado para servir, cuidar de vidas, orar, ensinar e compartilhar o Evangelho. Todos têm dons e responsabilidades espirituais.
Já os pequenos grupos, são a forma como nossa igreja se organiza para que isso aconteça, para que isso seja possível. Eles permitem que cada pessoa participe ativamente da vida da igreja, cresça espiritualmente e exerça seu ministério em um ambiente de comunhão e cuidado.
Em outras palavras, somos uma igreja em células, o que significa que nossa organização é baseada nos pequenos grupos chamados células, que se reúnem durante a semana em casas ou espaços menores. As células são a base da nossa igreja, onde os membros podem se conhecer melhor, estudar a Bíblia, orar juntos e cuidar uns dos outros. Além das células, temos as celebrações, que são reuniões maiores da igreja inteira, focadas em louvor, ensino e comunhão. Neste modelo ela é comparada a uma igreja de duas asas, que funciona equilibrando estas duas dimensões complementares que são:
- As Células (pequenos grupos): que são encontros semanais em casas ou pequenos espaços, onde os membros se conectam de forma próxima, estudam a Bíblia, oram juntos e cuidam uns dos outros. Representa o crescimento pessoal e relacional.
- E as Celebrações (reuniões maiores): são encontros com toda a igreja, focados em louvor, adoração, ensino e comunhão coletiva. Representa a unidade e adoração corporativa.
Esta metáfora das duas asas mostra que, assim como um pássaro precisa das duas asas para voar, a igreja precisa manter as células e as celebrações equilibradas. Se apenas uma asa estiver presente, a igreja não consegue crescer plenamente nem cumprir sua missão. Quando ambas estão ativas, a igreja consegue desenvolver espiritualidade saudável, engajamento dos membros e impacto na comunidade.
Redescobrindo o Modelo Bíblico: A Igreja nos Lares
A visão celular não é uma invenção moderna, mas um retorno às raízes da Igreja primitiva, conforme descrita no livro de Atos. Era nos lares que os primeiros cristãos se reuniam para crescer em comunhão, aprender a Palavra e amadurecer na fé. (Atos 2:46)
Mais que um Programa
A célula não é apenas mais uma atividade ou um programa da igreja. Ela é o coração pulsante da igreja local, um ambiente onde o pastoreio e o cuidado acontecem de forma personalizada e eficaz. É o lugar onde relacionamentos genuínos são construídos e vidas são transformadas.
É Um Lugar de Encontro
A célula não se resume a um encontro social ou a um bate-papo informal. É um lugar de encontro com um propósito transformador, claro e definido: levar vidas a Jesus, consolidar a fé dos novos convertidos e equipar cada membro para cumprir o "Ide" de Cristo. (Mateus 28:18-20)
Os Pilares da Célula
A célula é um ambiente propício para:
- Evangelismo: Alcançar vidas para Cristo através do amor e do testemunho.
- Pastoreio: Cuidar uns dos outros, nutrindo a fé e fortalecendo os laços de amor.
- Consolidação: Firmar os novos convertidos na fé, ajudando-os a crescer em seu relacionamento com Deus.
- Discipulado: Equipar cada membro para cumprir seu chamado e encontrar seu propósito em Cristo, levando à multiplicação.
A Igreja em Células: Um Modelo Bíblico e Eficaz
Diversos versículos, além de Atos 2:46, respaldam a prática da igreja em células: Filemom 1:2, Atos 8:3; Atos 10:24; Romanos 16:5; 1 Coríntios 16:19; Colossenses 4:15
Definição Prática de Célula: Uma célula é um grupo de 6 a 15 pessoas que se reúnem semanalmente para compartilhar a Palavra de Deus, experimentar a comunhão, crescer em fé e se edificar mutuamente em amor. Quando a célula atinge entre 10 a 15 pessoas, e já possui um líder em treinamento, é o momento ideal para a multiplicação, gerando uma nova célula e expandindo o Reino de Deus.
Os Componentes Essenciais de uma Célula:
- Anfitrião: Aquele que, com generosidade, abre as portas de sua casa para receber o grupo. O anfitrião é uma peça fundamental, pois seu lar se torna um ponto de referência para os irmãos, um lugar de acolhimento e paz. É essencial que o anfitrião esteja alinhado com a visão da igreja e que sua casa seja um lar consagrado a Deus, um ambiente onde o Espírito Santo possa se mover livremente. Muitas pessoas que não se sentem à vontade para entrar em um templo, sentem-se confortáveis para visitar uma casa. Por isso, o anfitrião deve ter um caráter moldado por Deus e um testemunho irrepreensível, pois será visto como uma referência espiritual.
- Líder de Célula: O pastor da célula. Aquele que conduz os estudos, direciona as conversas, zela pelo bem-estar do grupo, ora, e intercede. É alguém que busca guiar cada membro em direção a Jesus. Ele é responsável por delegar funções, despertar dons e equipar cada membro para encontrar seu propósito em Cristo.
- Líder em Treinamento: é um líder em potencial que está sendo treinado pelo líder da célula, para liderar uma a partir da multiplicação.
- Pessoas: O coração da célula! Sem pessoas, não há célula. O ideal é que a célula receba novos visitantes toda semana, convidados pelos próprios membros. A célula é um ambiente de evangelismo, onde vidas são transformadas pelo poder do Evangelho. Cada membro é incentivado a compartilhar o amor de Cristo com amigos, familiares e vizinhos, levando a bênção que experimentam na célula para outros. Dentro desse contexto, alguns se destacarão no evangelismo, outros no cuidado, e surgirão novos líderes e aqueles com dons específicos para o ministério.
O que a Célula NÃO é:
- NÃO é um "Ponto de Pregação": O líder deve resistir à tentação de transformar a célula em um monólogo. Os estudos, baseados na Palavra ministrada no domingo anterior, são uma oportunidade para diálogo e troca de experiências. Todos são incentivados a participar, tirar dúvidas e compartilhar suas perspectivas.
- NÃO é um grupo engessado, segue um roteiro: Embora pode ter uma estrutura, isso não significa que não haja liberdade para o mover do Espírito. O líder sábio sabe conduzir a reunião de forma organizada, mas também flexível, permitindo que Deus direcione os passos do grupo. Haverá momentos em que a comunhão e a partilha serão o foco principal, em outros, um estudo direcionado. O importante é manter o alinhamento com a visão da igreja e garantir o crescimento espiritual da célula.
- NÃO é apenas uma Reunião de Oração: Embora a oração seja fundamental em uma célula saudável, ela deve estar integrada ao roteiro. A célula é um lugar de oração, mas também de estudo da Palavra, comunhão e encorajamento mútuo.
Onde a Célula se reúne
A maioria das células se reúne em residências. Mas parece que a casa, o lar, a habitação da família, tem mais afinidade com a ideia de igreja do lar do Novo Testamento conforme Atos 2:46. Apesar de preferirmos residências, uma célula pode se reunir também em empresas (na hora do almoço), em escolas, em salões de festas (de condomínios) e em qualquer lugar onde haja um mínimo de silencio e privacidade. Só não recomendamos reuniões em bares ou lugar semelhantes.
Obede Edom – O Primeiro Anfitrião (2 Samuel 6,10-12)
A arca da aliança, de forma específica, simboliza o Senhor Jesus, mas de forma genérica, a Igreja é a arca da aliança de hoje. E como podemos receber a arca em nossa casa? Recebendo uma célula em casa. Precisamos hoje de muitos irmãos como Obede-Edom. Pessoas que se disponham a receber a arca em suas casas, tornando-se anfitriões. Se Obede-Edom foi abençoado por receber a arca, cada anfitrião de célula pode desfrutar da mesma benção. No entanto, há desafios:
1. As coisas de Deus nunca são neutras - A primeira coisa que precisamos entender é que as coisas de Deus nunca são neutras. Por que a arca foi maldição para Davi e seus soldados e para Obede-Edom foi benção? O que determina se algo de Deus será benção ou maldição é a nossa atitude de obediência e fé. (1 Cr 13) Desta forma, era muito bom que Davi estivesse alegre em receber a arca, mas ele deveria também ter uma atitude de obediência. Se você receber a arca com alegria e discernimento espiritual, ela será benção em sua vida. Contudo, alegria, somente, não será suficiente.
2. Ele teve Disponibilidade e Atitude - Sempre há muitas desculpas para não se sevir a Deus. Davi havia proclamado: “Quem pode receber a Arca em sua casa? ” Depois de ver aquele soldado morrer ao tocar na Arca, você se disporia a recebê-la em sua casa? As desculpas talvez fossem muitas. Obede-Edon, porém, não se importou com as dificuldades e cuidados que deveria ter. Ele se abriu para o desafio do rei. Obede-Edom recebeu a arca sem pensar nos possíveis riscos. Ele queria a benção e estava disposto a pagar o preço para tê-la.
3. Obede-Edom pagou o preço para ter a Arca em sua casa - Certamente, toda a rotina da família teve que ser alterada. Obede-Edom não entregou a sua casa para ser usada por Davi. Na verdade, ele ficou ali para cuidar da arca. Há anfitriões que entregam sua casa, entretanto não participam da célula. Isso é um grave erro, o Anfitrão de Sucesso participa ativamente da sua célula e demostra disponibilidade e amor para com todos, pois reconhece que a bênção esta em sua casa.
4. Obede-Edom era um levita submisso ao rei - Ele recebeu a arca em sua casa não somente porque tinha um ministério, mas também porque era submisso ao rei. Se você entender que a sua casa pertence ao Rei, não se recusará quando o Rei precisar dela.
O Dono de Casa – o ANFITRIÃO
Nosso objetivo aqui é realçar a importância do anfitrião da célula dentro da estrutura da nossa igreja. Entendemos que é preciso receber um chamado para desempenhar esta importante tarefa.
Uma célula pode se reunir em qualquer lugar. Todavia, temos aprendido que ela se dá melhor no ambiente de uma casa. Hoje, nossa igreja simplesmente não pode funcionar sem as casas. Elas são muito importantes para nós, assim como foram uma parte importante no ministério de Jesus. (Ler Mateus 26:1 ao 26; Macros 14:1 ao 11; Lucas 7:36 ao 50)
O Senhor procura aquele que ama os irmãos e tem prazer de recebê-los em sua casa. Alguém que ama a igreja e a visão das células. Deus procura aquele que deseja se comprometer com o alvo da multiplicação e da geração de discípulos. Alguém que ame menos as coisas e, de forma espontânea, derrama amor sobre as vidas. Na verdade, o Senhor convida a todo aquele que está disposto a abrir mão do próprio conforto para abençoar a sua igreja. Aquele que ouvir este chamado precisa entender que, agora, possui um ministério, um santo encargo diante de Deus. Ele é um anfitrião da igreja e um guardião da Arca de Deus. Sua casa agora será a escada de Jacó onde os anjos de Deus subirão e descerão e onde uma fonte de vida continuamente fluirá.
O Padrão do Anfitrião
Não fomos criados para desfrutar da presença de Deus e da comunhão dos irmãos apenas nos chamados “recintos sagrados”; mas, sim, no meio da vida cotidiana. Hoje, já não vamos para a casa depois do culto viver uma vida natural. Saímos do culto e vamos para casa continuar nossa adoração ao Senhor em meio ao convívio santo da igreja. Quando falamos de hospitalidade, a primeira coisa que nos vem à mente é receber em casa alguém, e isso é parte, pois a hospitalidade significa muito mais.
Hospitalidade é a atitude de ser aberto para receber a igreja. É a hospitalidade que determina o ambiente em uma igreja. Uma atitude hospitaleira produz uma igreja amorosa, cuidadosa e aconchegante. Talvez você nunca tenha atentado para isso, mas são os nossos anfitriões que determinam, em grande medida, o ambiente de amor e aconchego em nosso meio. Todos nós precisamos ter uma atitude hospitaleira de aconchego e carinho. Todavia, há aqueles que Deus tem separado para receber a igreja em suas casas. Se eles forem realmente hospitaleiros, toda a igreja será influenciada. Por isso, o bom anfitrião não apenas cede sua casa, como abre seu próprio coração. Hospitalidade é um ambiente. É uma sensação de ser bem vindo e de sentir-se à vontade. Áquila e Priscila são sempre mencionados como anfitriões no Novo Testamento. E é observando a vida deles que vemos como este ministério é importante. Por isso, vamos realçar algumas de suas características que serão usadas como padrão para nossos anfitriões:
A importância do Anfitrião na Multiplicação
Como já dissemos anteriormente, a multiplicação da célula depende muito se encontramos o homem de paz a que o Senhor se referiu em Lc 10.5-7. O anfitrião não é o único fator de multiplicação de uma célula, mas certamente ele é um fator muito importante. Dizemos isso por várias razões, vejamos abaixo algumas delas:
- Ele acolhe o visitante - O anfitrião da célula tem como principal responsabilidade fazer com que todos se sintam acolhidos. A história de Marta e Maria ilustra dois estilos: Marta, focada na organização e nos detalhes, mas ansiosa e sobrecarregada; e Maria, que priorizou a comunhão e a presença de Jesus. O ensinamento é que, mais do que preparar o ambiente ou a comida, o papel essencial do anfitrião é valorizar as pessoas, dando atenção especial aos irmãos e visitantes. A comunhão deve estar acima do evento em si.
- Promove um bom ambiente na célula - O anfitrião deve preparar o ambiente da célula com antecedência, considerando tanto o aspecto físico quanto o espiritual da casa. Problemas pessoais ou familiares não impedem o ministério, mas é fundamental que o anfitrião se abra para receber ajuda do líder ou da célula. O que prejudica o ambiente não são os problemas em si, mas a recusa em ser ajudado, pois tristeza, mau humor ou nervosismo do anfitrião tornam o ambiente pesado para todos.
- Gera envolvimento dos irmãos - Um bom anfitrião é o ponto central da célula, disponibilizando sua casa não apenas para as reuniões, mas também para momentos de convivência. Ele se envolve de forma prática e afetuosa, criando oportunidades para que os membros se encontrem, muitas vezes em torno de refeições.
- Ganha os vizinhos e amigos - O anfitrião é fundamental para o crescimento da célula, compartilhando com amigos, vizinhos e familiares testemunhos sobre Jesus, milagres, curas e transformações. Ele também destaca o ambiente acolhedor da célula, os eventos da igreja e o impacto positivo na vida das pessoas.
Concluindo: Ser anfitrião é muito mais do que ceder a sua casa; é abrir o coração para receber os irmãos, criar um ambiente de acolhimento e comunhão, e ser um canal de bênçãos na vida da igreja. Assim como Obede-Edom foi abençoado por receber a arca do Senhor, cada anfitrião tem a oportunidade de experimentar a mesma bênção em sua família e em sua casa.
O anfitrião é uma peça-chave para o crescimento da célula: ele acolhe os visitantes, promove um ambiente de amor e tranquilidade, gera envolvimento entre os irmãos e ainda testemunha do poder de Deus para vizinhos, amigos e familiares. É um ministério que exige disposição, amor e fé, mas que traz frutos duradouros no Reino.
Se você sente esse chamado, não hesite: abra sua casa, participe ativamente da célula e permita que Deus use o seu lar como uma extensão da igreja. A sua disponibilidade pode transformar vidas e multiplicar discípulos. Deus procura corações dispostos a amar e a servir; que o seu seja um deles.
EM RESUMO: nossa visão é ver cada crente atuando como ministro de Cristo, e as células são a estrutura que torna isso real - um ambiente onde todos podem servir, crescer e cumprir seu chamado.
NOSSA CULTURA COMO IGREJA
O nosso jeito de ser igreja
A identidade da igreja vai além de nome ou símbolos; ela revela quem somos, nosso propósito e razão de existir. A cultura é a forma prática de viver essa identidade no dia a dia, influenciando como servimos, recebemos pessoas, discipulamos, treinamos líderes e impactamos a comunidade. Compreender nossa identidade e cultura nos dá direção, firmeza e unidade, mostrando que somos um corpo vivo, organizado e guiado pelo Espírito de Deus. A identidade se manifesta nos pilares da missão, visão e valores.
1º. PILAR - A MISSÃO - é o coração da igreja, respondendo à pergunta: Por que existimos? Ela direciona nossas ações diárias e mantém a igreja unida e focada. Nossa missão se resume em quatro ações-chave: conectar, consolidar, treinar e enviar. E ela nos lembra que não estamos aqui apenas para reunir pessoas, mas para formar discípulos maduros que vão alcançar e cuidar de outros, que serão preparados e depois enviados para transformar o mundo. Essa é a nossa missão: transformar vidas que transformarão o mundo!
2º. PILAR - A VISÃO - Se a missão responde “Por que existimos?”, a visão responde “Aonde queremos chegar?”. A visão é o destino da igreja, direciona decisões, inspira sonhos e mantém todos caminhando juntos. Nossa visão: “Conectar e restaurar gerações, construindo um futuro”, que significa formar discípulos de todas as idades, curar suas feridas, uni-los em propósito e construir um legado de esperança em Cristo. Uma igreja sem visão pode crescer em número, mas não transforma gerações.
3º. PILAR - OS VALORES - são os princípios e comportamentos que guiam nossa igreja no dia a dia, definindo nosso “jeito de ser” e sustentando todas as nossas ações e decisões. Eles representam nossa cultura prática de servir, amar e cumprir o chamado de Deus. Assim, aqui valorizamos: amor e acolhimento, integridade, honra, unidade, serviço e excelência, generosidade, restauração, discipulado e multiplicação. Em resumo, esses valores nos mantêm fiéis à missão e visão, promovendo uma igreja unida, amorosa e transformadora.
CONCLUSÃO – Nossa identidade e a cultura refletem nossa essência e modo de viver como família de fé. Elas se expressam em nossa missão, na nossa visão e nos valores que orientam nossas atitudes. Esses pilares mostram que nossa igreja não existe apenas para fazer atividades, mas para transformar vidas, restaurar famílias e formar líderes. A responsabilidade é de cada um de nós: viver a missão com paixão, praticar os valores com fidelidade e avançar na visão com coragem.
A fidelidade nas pequenas coisas - discipulado, visitas, aconselhamento - permite que Deus realize grandes feitos. A cultura da nossa igreja é a expressão do nosso DNA espiritual, que define quem somos, guia nossas ações e orienta cada célula, ministério e líder para impactar gerações. Como membros desta Família, devemos preservar e refletir a identidade da nossa Igreja, garantindo que cada célula, ministério e ação demonstre nosso chamado em Deus.